Confissões de um Engenheiro Civil

Postado por Admin a

A Casa de Madeira despida de segredos

Na hora de escolher a casa ideal para a sua família, importa consultar a opinião de peritos em construção. O Engenheiro Civil João Valente é um desses especialistas. Numa entrevista informal o Eng.º Valente traça o perfil técnico de uma moradia em Esqueleto de Madeira ECOSITANA:

ECOSITANA: Qual a razão que o levou a interessar-se pelas casas de madeira?
Eng.º VALENTE: As casas em madeira apresentam uma versatilidade e um conjunto de características deveras interessantes.
Estruturalmente a madeira tem uma grande capacidade de resistência aos esforços aplicados, permitindo assim que se consigam construções amplas e seguras. O seu comportamento sísmico é igualmente óptimo uma vez que a madeira consegue adaptar-se às oscilações de um sismo graças às suas propriedades elásticas. Comparada com a construção em betão, a madeira tem a aptidão de resistir a esforços de tração e compressão que fariam estruturas de cimento desmoronar-se.
A madeira consegue assim moldar-se a uma multiplicidade de aplicações sem comprometer as suas características estruturais. Assim, apraz-me comprovar que as casas em esqueleto de madeira da Ecositana demonstram um índice de segurança muito elevado comparativamente aos edifícios em betão.
Esta estrutura, aliada aos melhores padrões de qualidade e rigor que se encontram no mercado e a uma mão-de- obra especializada e com experiência, é o que caracteriza a alta qualidade das construções Ecositana.


ECOSITANA: O que pode dizer-nos sobre o comportamento térmico de uma casa de madeira?
Eng.º VALENTE: Novamente contrapondo com o betão, as casas de madeira possuem uma elevada inércia térmica. Isto significa que conseguem evitar grandes oscilações e manter uma temperatura constante. O conforto térmico é assim excepcional. Mesmo que determinada residência, pela sua dimensão ou localização, venha a carecer de sistemas de aquecimento ou de arrefecimento, estes serão pouco utilizados. Apenas para alcançar a temperatura pretendida, sendo que a própria habitação tratará de a manter constante sem necessidade de deixar os equipamentos em funcionamento. Chama-se a este fenómeno inércia térmica. E traduz-se em poupanças económicas significativas.
Pois que as habitações de madeira construídas pela Ecositana possuem pormenores construtivos que aumentam os padrões térmicos ao mais alto nível. Alguns exemplos desses pormenores são por exemplo as fundações isoladas e ventiladas, ou a caixa-de- ar mantida na cobertura, ou os numerosos isolantes das fundações, paredes e cobertura. Todos estes parâmetros aumentam a capacidade de respiração e regulação térmica. Cada uma das camadas que constitui cada elemento em contacto com o exterior (envolvente exterior) possui uma função específica, como seja a resistência mecânica, ignífuga, e a regulação térmica e higroscópica da habitação.


ECOSITANA: E qual o comportamento das casas de madeira em termos de segurança contra incêndio?
Eng.º VALENTE: É necessário deitar por terra alguns estereótipos falsos que circulam sobre as construções em madeira. A segurança em caso de incêndio não é posta em causa, já que todos os materiais utilizados, desde a própria madeira estrutural até aos elementos que compõem os revestimentos, possuem certificação e classe de resistência ao fogo dentro de todos os padrões legalmente exigidos. Muitos dos isolantes envolvidos são inclusive incombustíveis, como é o caso das lãs minerais.
Mais sublinho que em caso de incêndio, os elementos revestidos a madeira têm uma maior capacidade de suster o calor de um possível fogo em determinado compartimento contíguo. Para isto basta pensarmos no facto de que conseguimos ter um determinado barrote de madeira maciça em que um dos lados se encontra uma chama e no lado oposto a temperatura se mantém inalterada. Tal comportamento não é observável no betão ou no metal, pois ambos possuem maior condutibilidade térmica que a madeira.

ECOSITANA: Na sua opinião, os preconceitos de que são alvo as casas de madeira são injustificados?
Eng.º VALENTE: Totalmente. São fruto da falta de experiência e da desinformação. Viver numa casa de madeira tem plenos benefícios. Como já referi, o conforto térmico excepcional. Para além de que as casas de madeira evitam ou pelo menos reduzem muito significativamente o aparecimento de humidades e bolores nas paredes e tectos. Isto traduz-se numa atmosfera sã e agradável.
Falo ainda em preconceito porque aliada à palavra madeira costuma vir a ideia de manutenções caríssimas e o aspecto rústico. Não há ideia mais errada do que esta, já que as próprias casas de betão devem ter um plano de manutenção para que o padrão de conforto se mantenha. Resumindo, qualquer casa deve possuir um plano de manutenção para que o nível de conforto e longevidade estrutural se mantenham íntegros.
As pessoas devem deixar de imaginar uma cabana nos Alpes quando se fala de habitação em madeira. Hoje em dia estas habitações têm os acabamentos que o proprietário desejar, sem restrições de estética ou de arquitectura.

ECOSITANA: Finalmente, quer deixar um pensamento para os leitores?
Eng.º VALENTE: Sim! Que se informem! (risos) Existem estruturas de madeira com idade muito superior aos edifícios de betão, já para não dizer que o betão é algo utilizado apenas nas décadas mais recentes da História da construção. Enquanto a madeira já é empregue nas construções Humanas em todo o mundo desde o início dos tempos. E ainda continua a ser o material preferido pela maior parte do mundo, sobretudo nos países mais desenvolvidos, como os EUA, o Japão, a Austrália e os países Nórdicos. De climas muito frios a climas muito quentes, a madeira fez as suas provas.
Existem templos Budistas em madeira que remontam ao ano 700 d.C.. São construções com uma altura de cerca de 32 metros. O equivalente a 5 andares. E ainda hoje possuem uma integridade estrutural invejável!
Portanto não podemos considerar que a madeira seja apenas para construções pré-fabricadas como habitualmente as pessoas associam. O que podemos concluir é que as construções, quando devidamente edificadas e cuidadas, possuem uma longevidade elevada quase sempre superior ao tempo que iremos viver nas mesmas.


ECOSITANA: Muito obrigado pela sua disponibilidade e bons projectos!

Dados do Entrevistado:
João Manuel N. C. Valente
joaovalente@gmail.com
Engenheiro Técnico Civil,
Projetista na Arken | www.arken.pt
Membro da Ordem dos Engenheiros Técnicos
Licenciado pelo Instituto Politécnico de Beja, Escola Superior de Tecnologia e Gestão de Beja